E o ano está quase a terminar e, com ele, o meu completo falhanço nos dois desafios a que me propus. 
No entanto, não sou derrotada com facilidade porque sei que 2016 vai ser o meu ano! 
Mas, no que toca ao ano de 2015, houve uma predominância da fantasia e dos autores estrangeiros, coisa que quero muito mudar no ano de 2016, assim como a quantidade de leituras em língua estrangeira.
Foi um bom ano para livros e para filmes, num total de 93 opiniões, 78 e 15, respectivamente. 
Muita coisa aconteceu no ano de 2015, houve uma imensa quantidade de leituras, num total de 27185 páginas! Estou realmente contente com a minha perseverança não só no que diz respeito às leituras como à manutenção do próprio blogue, o que, para mim, é a primeira vez. Pelo que, em primeiro lugar, agradeço aos 80 seguidores do blogue e às 158 pessoas que gostam e que seguem a página do deliriousbeautifulmind no Facebook. Por esta altura em 2014, estava a pensar no nome para o blogue e, a única coisa que associo ao acto de ler, é escrever - imaginação.
Às pessoas que seguem as minhas opiniões, seguidoras ou não, obrigada!
No meio das milhentas páginas e das milhentas palavras, há três livros que sobressaem pela positiva. Foram as minhas leituras preferidas do ano, pelo conteúdo, pela história e, não podiam ser mais diferentes. Uma delas passa-se em Marte, outra num LOOP algures na Irlanda e outra num universo fantasioso com uma protagonista fantástica. Não foi, de todo, difícil escolher o favorito, uma vez que Celaena Sardothian infiltrou-se na minha cabeça com uma facilidade quase descarada.
Por isso, sem mais demoras, aqui está o TOP 3 DE 2015:



Espero que 2016 me dê, no seu esplendor, uma enorme quantidade de leitura, histórias fantásticas, protagonistas maravilhosos e um incontável número de aventuras para mais tarde recordar. Em 2016 quero voar num dragão, lutar com uma espada e apaixonar-me mas no espaço. E, claro, isso só é possível através dos livros. O que há de mais maravilhoso no mundo?
Boas Leituras, e Bom 2016!


Sinopse: No submundo mágico de Londres vitoriana, Tessa Gray encontrou por fim a segurança com os Caçadores de Sombra. Mas esta torna-se efémera quando forças desonestas na Clave se revelam para destruir a sua protectora, Charlotte, e substitui-la como chefe do instituto. Se Charlotte perder a sua posição, Tessa será posta na rua - e presa fácil para o misterioso Magister, que deseja usar os poderes de Tessa para os seus fins obscuros. 
Com a ajuda do bonito e autodestrutivo Will e do devotado e dedicado Jem, Tessa descobre que a guerra do Magister contra os Caçadores de Sombra é pessoal. Ele culpa-os de uma tragédia íntima que lhe destruiu a vida. Para desvendar os segredos do passado, o trio viaja através das névoas do Yorkshire para uma mansão que contém horrores indizíveis, dos bairros-de-lata de Londres para um salão de baile encantado, onde Tessa descobre que a verdade sobre a sua paternidade é mais sinistra do que alguma vez imaginou. Quando encontra um demónio mecânico com um aviso de Will, apercebe-se que o Migister sabe de todos os seus movimentos... e que um deles os traiu. 
Tessa descobre que o seu coração está cada vez mais atraído por Jem, apesar do seu anseio por Will e dos sombrios estados de alma que continuam a abalar a sua confiança. Mas algo está a mudar em Will... a parede que construiu à sua volta desmorona-se. Conseguirá o Magister libertar Will dos seus segredos e dar a Tessa as respostas sobre quem é e para que nasceu?
A verdade leva os amigos para o perigo, e Tessa descobre que quando o amor e mentiras se misturam podem corromper até o coração mais puro. 

Opinião: Primeiro que tudo, admito que batalhei para escrever esta opinião. Cassandra Clare maravilhou-me com um mundo fantástico e criou em mim a ânsia de saber mais, a paixão pelos seus personagens e o desejo irascível de pertencer a este universo fictício. Mas, um olhar mais afastado dos meus gostos pessoais, permitiu-me ver algumas falhas. O meu amor e interesse pelos personagens camuflaram "o que não se passa".

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Sinopse: O Natal é uma época para a família, em que os membros que não se vêem há muito tempo, se reúnem à mesa, partilham histórias, sonhos, alegrias e uma refeição tradicional. Mas neste Natal a ceia é tudo menos convencional. Uma delícia que poucos têm oportunidade de provar. 
Um jovem aborrecido e descontente, em busca de aventuras nocturnas numa casa perdida à beira-rio, irá encontrar muito mais que prendas debaixo da árvore de Natal. 
Uma refeição pode esconder muito segredos...

OpiniãoNo espírito da época natalícia, decidi que era uma boa altura para ler um conto de uma autora portuguesa, e que conto melhor do que um que um conto natalício?
Não estava familiarizada com os trabalhos da autora Ana C. Nunes ou com a sua escrita, no entanto, achei-a fluída e cativante e, a verdade, é que se lê o conto em três tempos. Confesso, contudo, que não apreciei o título ou a capa, no entanto, o facto de ser narrado na primeira pessoa facilita o avanço na leitura.
Esperava algo ligeiramente mais natalício mas, fiquei surpreendida com a conclusão, pelo rumo drástico que a história tomou e pelo aspecto fantasioso. Tudo o que eu pensava que seria, caiu-me ao chão nas poucas páginas que o conto durou. Fiquei presa à leitura até à conclusão do mesmo que, como disse, durou pouco.
Porém, apesar da surpresa, preferia que houvesse mais elementos de terror, mais da sensação de paranóia que provocam os contos ou livros do mesmo género. Por outro lado, a ideia final do livro, deu-me a sensação de que podia ser mais explorada. Talvez num conto maior. Talvez num stand-alone.
Outros títulos da autora: 
*A Última Ceia
*Anjo Gabriel - Pacto de Sangue
*Um Toque de...


Sinopse: Quando Tessa Gray, uma jovem de dezasseis anos, atravessa o oceano para se reunir ao irmão, o seu destino é a Inglaterra do reinado da rainha Vitória e aventuras aterrorizantes aguardam-na no Mundo-à-Parte de Londres, onde vampiros, bruxos e outras personagens sobrenaturais partilham as ruas iluminadas a gás. Apenas os Caçadores de Sombras, guerreiros que se dedicam a livrar o mundo de demónios, conseguem manter a ordem no caos. 
Raptada pelas misteriosas Irmãs Escuras, membros de uma organização secreta chamada Clube Pandemonium, Tessa fica a saber que também pertence ao Mundo-à-Parte e que possui uma habilidade rara: o poder de se transformar, quando quer, noutra pessoa. Além disso, o Magister, a figura misteriosa que dirige o clube, tudo fará para reclamar o poder de Tessa para si. 
Sem amigos e perseguida, Tessa refugia-se junto dos Caçadores de Sombras do Instituto de Londres, que lhe juram encontrar o irmão se usar o seu poder para os ajudar. Em breve se sente fascinada e dividida entre dois amigos: James, cuja beleza frágil esconde um segredo mortal, e Will, um rapaz de olhos azuis cujo humor caústico e temperamento volúvel mantém toda a gente à distância... ou seja, todos menos Tessa. Enquanto a investigação os vai arrastando para o âmago de uma conspiração tenebrosa que ameaça destruir os Caçadores de Sombras, Tessa percebe que poderá ter de escolher entre salvar o irmão e ajudar os seus novos amigos a salvar o mundo...e que o amor pode ser a magia mais perigosa de todas. 

OpiniãoAnjo Mecânico foi uma surpresa. A GOOD ONE. Cassandra Clare maravilhou-me com o seu Mundo das Sombras em Os Instrumentos Mortais, e continuou a fazê-lo com As Origens ou The Infernal Devices, no título original.
Para os mais familiarizados com o primeiro trabalho da autora, Anjo Mecânico, o primeiro livro de três excede as expectativas. Pelo menos, foi o que aconteceu comigo. Ao passo que em Os Instrumentos Mortais a história decorre em Nova Iorque nos tempos actuais, As Origens passa-se em Londres em Abril de 1878. Isto dá mais ao livro, dá um contexto histórico, dá relevo e dá um sentido mais real ao Mundo das Sombras.

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Sinopse: Para salvar a vida da mãe, Clary tem de ir à Cidade de Vidro, o lar ancestral dos Caçadores de Sombra - não a incomoda que a entrada nesta cidade sem sem autorização seja contra a Lei e que violá-la possa significar a morte. Piorando ainda mais a situação, ela vem a saber que Jace não a quer lá e que Simon foi encarcerado na prisão pelos Caçadores de Sombras que suspeitam de um vampiro que tolera a luz do Sol. Ao tentar descobrir mais pormenores sobre o passado da sua família, Clary encontra um aliado no misterioso Sebastian. Com Valentine a reunir toda a força do seu poder para destruir de uma vez por todas os Caçadores de Sombras, a única possibilidade de estes o derrotarem é combater ao lado dos seus eternos inimigos. Mas podem os Habitantes do Mundo-à-Parte e os Caçadores de Sombras pôr de lado o seu ódio mútuo e aliarem-se? Embora Jace compreenda que está pronto a arriscar tudo por Clary, poderá ela utilizar os seus poderes recentes para ajudar a socorrer a Cidade de Vidro - custe o que custar? O amor é um pecado mortal e os segredos do passado provam ser letais quando Clary e Jace enfrentam Valentine no último volume da trilogia Os Intrumentos Mortais. 

OpiniãoEm A Cidade de Vidro, é-nos dada, pela primeira vez, a imagem do país natal dos Caçadores de Sombra, Ídris, e da sua única cidade, Alicante. Uma imagem para lá de um pedaço de espelho, com uma descrição real. Não é exactamente um mundo fantástico, mas é um local misterioso e recheado de histórias e que podemos imaginar com facilidade, desde o Lago Lyn até à Praça do Anjo ao Pavilhão dos Acordos. A forma como a autora transforma Alicante às necessidades dos Caçadores de Sombra, recheando-a de mitos e de maldições é altamente apelava.

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Naquilo que é uma iniciativa fantástica, o unheard-voice, decidiu eleger o melhor livro do ano, publicado em Portugal no ano de 2015, à semelhança do que acontece no Goodreads. A votação iniciou-se dia 1 de Dezembro e termina dia 31 de Dezembro, pelo que ainda têm muito tempo para votar naquele que é o vosso livro preferido de 2015 em categorias que vão desde o Fantasia até Romance Erótico. A lista de livros escolhidos foi feita em colaboração com vários blogues, e TCHAM TCHAM TCHAM, podem ver agora o resultado final no blogue unheard-voice - podem carregar aqui, ou na imagem. 
Deixo-vos aqui a introdução da votação para que, caso eu não os convença, a mente por detrás do projecto, o faça. 

"Agora que chegámos a Dezembro, é mais que natural olhar em retrospectiva para o ano que está quase a terminar. Para quem gosta de ler (óbvio!) é quase sagrado o olhar para todas as leituras realizadas, as boas, as más, as assim-assim, as que eram para ter sido e as que entraram para a wishlist. E este ano que as novidades foram tantas e tão boas! Ah!
Não sei quanto a vocês, mas eu fico sempre curiosa em saber o que as pessoas acharam dos livros que foram saindo. E, dentro desta linha de raciocínio, que tal descobrir-mos quais os melhores livros lançados em 2015? Estou mesmo curiosa e vocês?"



Opinião: Lembro-me de que, quando vi o official trailer pela primeira vez, caiu-me tudo aos pés. Adorei cada aspecto, parecia uma adaptação fiel, o que é raro, especialmente quando há vários elementos fantásticos, os actores pareciam interpretar a essência dos personagens, a introdução é maravilhosa, foi de provocar arrepios e a banda sonora estava no ponto. A expectativa estava para lá da estratosfera.
E depois, veio o filme.
Quando o vi pela primeira vez, no dia de estreia, a minha desilusão não era sequer, mensurável. Tudo o que eles podiam estragar, estragaram. Valentine Morgenstern, o antagonista da história, alguém descrito nos livros como carismático, atraente e manipulador é, no filme, uma versão de rua do Capitão Jack Sparrow, de Os Piratas das Caraíbas. Não posso sequer, "culpar" o actor que é, fantástico, mas o guião, o script, que devia ter sido revisto pelo menos mais umas vinte vezes. É o que acontece quando a autora não está envolvida nos projectos MOVIE PEOPLE!
Num tom mais positivo, adorei a sequência de acção do rapto e a do Hotel Dumont (Dumort). Uma cena que não pareceu mecanizada, mas sim natural e, não tenho nada a apontar. A adição de Isabelle e Alec foi bem-vinda, já que houve a possibilidade de vermos Isabelle e o seu chicote em acção, MAS, os produtores, as pessoas responsáveis pelo filme, criaram uma quantidade incrível de cenas desnecessárias, uma delas, a pior, é a cena do Portal, com a bolha de água flutuante.
O QUE É AQUILO? E essas pessoas, acharam por bem explicar que Bach, foi um Caçador de Sombras e adicionaram uma forma melodiosa de desvendar demónios (*atiro as mãos ao ar em desespero*) Não percebo porque é que o "pai" de Clary teve de morrer quando ela tinha 2 anos e não antes de nascer, ou como é que ela ainda diz que "em todos os anos que conheceu Luke, nunca teve na casa dele" WTF?
Há alguns diálogos cómicos, outros nem tantos. O foco do livro é sobretudo Clary e o Mundo das Sombras, no entanto, penso que o filme baseou-se demasiado na relação entre Clary, Jace e mesmo Simon e, vi algures uma entrevista que houve a preocupação de explicar, desde cedo, a "relação" entre Clary e Jace para os espectadores mais novos.
PORQUÊ PESSOAS?
PORQUÊ ESTRAGAR UMA ÓPTIMA SURPRESA?
PORQUÊ ESTRAGAR UM PLOT TWIST PERFEITAMENTE RAZOÁVEL?
PORQUÊ?
Não percebi a personagem do Hodge. Agorafobia? A maldição da Clave é justificada por uma fobia? PORQUÊ?
É impossível ver o filme A Cidade dos Ossos como fã do livro. É impossível. Não percebo como é que mesmo antes do filme estrear, já estavam a prever uma sequela. COMO? Questiono. COMO? Até mesmo Magnus, um dos personagens mais magníficos, especiais e brilhantes criados por Cassandra Clare apareceu em meia dúzia de cenas e, em cada uma delas, tinha tanto "sal" como um copo de água da torneira.
A forma como as explicações são dadas, de o Portal ser como o Triângulo das Bermudas ou a forma como ela escreveu Magnus Bane no chão, até mesmo a forma como exploraram a situação vampírica de Simon foi, à falta de melhor palavra, ridícula. Não percebi a explosão de luz no céu de Nova Iorque, ou a entrada de demónio no Instituto, ou até como Simon sabia que os lobisomens eram bons quando não teve qualquer contacto com eles. De repente, Jace também tem um bloqueio na mente, nem sequer sei de onde é que isso veio. Luke nunca vê Valentine. Clary deixasse ser consolada por Valentine e Jace é o primeiro a saber da relação dos dois. E, para cúmulo, Valentine desaparece ao estilo de Elsa em Frozen.
Em relação ao final, lembro-me que não conseguia parar quieta na cadeira, as minhas mãos não paravam de voar em direcção a todos os cantos da sala. A cena em que Jocelyn, maravilhosamente interpretada por Lena Hadley, mexe o dedo, eu perdi o controlo. E, quando Clary limpa a casa à Harry Potter style, a fé que ainda existia, evaporou. RIDÍCULO. ABSOLUTAMENTE RIDÍCULO. Sinceramente, preferia que tivessem deixado o livrinho na prateleira, com os seus direitos de autor quietinhos.
Para atenuar o desgosto, houve bons momentos cinematográficos, a maior parte deles, incidiu sobre a paisagem de Nova Iorque e sobre a Cidade dos Ossos e os Irmãos Silenciosos. Por outro lado, houve mudanças de cenas onde cabelos desgrenhados tornam-se perfeitos e, sim, estou a pegar em tudo, porque nada me fez sentido e os livros são excelentes.
Outros títulos das Crónicas dos Caçadores de Sombra por Cassandra Clare
*A Cidade dos Ossos - adaptação cinematográfica: aqui


*Lord of Shadowns (sem data de publicação)
*Queen of Air and Darkness (sem data de publicação)

*Chain of Thorns (sem data de publicação)
*Chain of Gold (sem data de publicação)
*Chain of Iron (sem data de publicação)

*The Wicked Power #1 (sem data de publicação)
*The Wicked Power #2 (sem data de publicação)
*The Wicked Power #3 (sem data de publicação)

*Tales from the ShadowHunter Academy (publicado em short-stories - por enquanto)
*The Shadowhunter Códex

Outros livros da autora
*A Manopla de Cobre
*Magisterium #3
*Magisterium #4
*Magisterium #5


Sinopse: Duas famílias, uma agnóstica outra católica, vão ser literalmente atravessadas por uma tragédia. Filipa e Miguel, personagens escaldantes, não suportam que a família e a sociedade venham ditar as normas porque se regem os clamores do primeiro amor, esse que nunca se esquece, que nos marca indelevelmente, de onde se levanta a gigantesca catedral de sentimentos, de dores e alegrias, que irão abrir o rumo da nossa vida. 
Mesmo considerando a solidariedade e a harmonia na família de Miguel, os dois jovens vão enfrentar a dura prova do crescimento e aprender "que o vazio causa a dor onde a alegria e toda a esperança se esvaem". No final, a caminho da solidão maior, Miguel e Filipa tocam o zénite onde podem enfim fundir-se num só. 

OpiniãoQuando eu era uma pré-adolescente, adorável e ingénua, costumava devorar, livros como este. Ao contrário de outros, que devoravam livros como Uma Aventura, ou Os Cinco, eu lia, Maria Teresa Maia Gonzalez e, Um Beijo no Pé tornou-se, rapidamente, um dos meus favoritos, provavelmente pela relação entre os dois protagonistas, Miguel e Filipa.
No entanto, outra leitura, anos mais tarde - hoje, para ser mais concreta - , deu-me um sentimento, completamente diferente. Eu compreendo o fascínio que o meu eu de treze anos de idade sentiu pelo tema mas, o meu eu de vinte e três anos, não consegue compreender como é que uma autora que, tem um enorme poder de influenciar mentes jovens, descreve a violência doméstica como algo, que irá passar, algo que é preferível a ter um pai morto, algo que é aceitável.
Fiquei chocada porque, os único pormenores que recordava era a história de amor e não as histórias secundárias de personagens que pouco me interessaram mas, lendo agora, vejo o mal que uma única página pode fazer (página 70). Um livro que está no Plano Nacional de Leitura, a meu ver, por favor, partilhem a vossa opinião, não pode ter frases como: «o teu pai não faz aquilo por mal. Se a vida lhe corresse melhor, se tivesse um emprego, ele já não batia em ninguém»
O QUÊ? Esta é a mensagem que queremos passar? Que é OK, recorrer à violência caso esta seja justificada por uma falta de emprego? Que uma nódoa negra na cara de uma criança de cinco anos de idade é normal e que a criança não tem de se preocupar porque «tu hás-de ficar bem grande, assim como ele e ninguém anda por aí a bater num homem grande!». Não concordo com tal pensamento, de todo e, não sou capaz de assimilar ISTO.
A escrita é realmente simples, por vezes poética, no entanto, os diálogos deixam muito a desejar. Algo que é comum a vários autores deste género de livros é o palavreado adolescente e o quanto os autores se esforçam quando, não o deviam: «É melhor não ires lá, que, pelas trombas dele, passou-se uma cena escanifobética e não quer que lhe chaguem a mona». Humo
Algo de que gostei foi as reminiscências ao passado, - sempre fã - mas, achei que, perante o sucedido, o Miguel estava a ser o mais infantil, o mais ingénuo, que é possível ser sem passar para o lado ridículo. Claro que o meu eu de treze anos, aceitou tudo, de bom grado. Ter dezassete anos pareciam-me já a idade adulta mas, alguém devia ter dado uma bofetada na criatura e, não estou sequer a referir-me às crenças religiosas mas, à facilidade com que ele achava que tudo na vida se ia resolver, à forma como achava que ia lidar com tudo, só porque vinha de uma família com dificuldades, mas amada.
Foi uma boa hora de leitura, mais coisa menos coisa e, é engraçado, como este género de livros, transportam-nos com facilidade para o passado. Durante a leitura, a minha mente viajou dez anos e hoje, por uma hora, voltei a ser uma rapariga facilmente impressionável e que se deixava deslumbrar por bonitas histórias de amor.
Outros títulos da Colecção Profissão Adolescente: 
*Dietas & Borbulhas
*O Geniozinho
*Ricardo, o Radical
*A Ana Passou-se!
*Poeta (às vezes)
*A Sara mudou de Visual
*Pedro Olhos de Àgui
*O Tiago está a pensar
*Parabéns Rita!
*Um Beijo no Pé
*A viagem do Bruno
*O álbum de Clara
*Estrela à chuva
*Alguém sabe do João?
*Noites no sotão
*O irmão da Joana
*Inês e o Ministro da Educação
*Em Casa do Vasco
*Tomás e  Bianca
*Tão cedo Marta!
*O Salvador
*O ombro de Cláudia
*Raimundo
*Entre irmãs
*David, um herói entre as chamas
*A família da Nazaré


Sinopse: Clary Fray só queria que a sua vida voltasse ao normal. Ms o que é normal quando és um Caçador de Sombras? A tua mãe está em estado de coma induzido por artes mágicas, e de repente, começar a ver lobisomens, vampiros e fadas? 
A única hipótese que Clary tem de ajudar a mãe é pedir ajuda ao diabólico Valentine, que, além de louco, simboliza o Mal - para piorar o cenário é também o seu pai. Quando o segundo dos Instrumentos Mortais é roubado, o principal suspeito é Jace, que a jovem descobriu recentemente que é seu irmão. Ela não acredita que Jace de facto possa estar disposto a abandonar tudo o que acredita e a aliar-se ao diabólico pai Valentine...mas as aparências podem iludir. 

OpiniãoA Cidade das Cinzas, faz parte de um conjunto de seis livros que pertencem à série Os Instrumentos Mortais de Cassandra Clare, uma, de cinco conjuntos de livros (mais extras) que pertencem Às Crónicas dos Caçadores de Sombras e, para saber a minha opinião sobre o primeiro volume, A Cidade dos Ossos ou para discutir possíveis comparações ou ameaças de plágio por parte da autora face aos livros de Harry Potter, podem sempre carregar aqui.

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Sinopse: Esta é a história de um menino que vivia num asteróide, com os seus vulcões em miniatura e a sua linda rosa vermelha e, usava um longo cachecol a flutuar ao vento. Um dia ele resolveu viajar e visitou a Terra onde encontrou um grande amigo que depois contou a história desse menino. Esta história foi traduzida em muitas línguas, foi lida por milhares de pessoas pequenas e grandes, e também por aqueles que, tendo-a lido quando eram pequenos, a voltaram a ler na idade adulta. Tal como tu talvez daqui a muitos anos voltes a lê-la. Sabes porquê? Porque mesmo se te causar alguma estranheza ou te parecer enigmática, esta história revela-te um segredo muito simples e ao mesmo tempo muito sábio: é que as coisas mais importantes são muitas vezes invisíveis para os olhos - só com o coração é que podemos vê-las!

OpiniãoNão estava nos meus planos imediatos ler o Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry mas, estabeleci uma data de desafios para o ano de 2015 e o livro em questão insere-se na categoria do "livro que era suposto ler para a escola, mas que acabei por não ler" e, quando terminei a leitura, senti uma espécie de vazio. Olhando para o passado, para a criança que eu era, sei que teria adorado o Principezinho, fosse obrigatório ou não e senti pena de mim mesma por não poder ter esta experiência, enquanto criança - se é que estou a fazer o mínimo sentido. Mas, ao mesmo tempo, não sei até que ponto é que teria compreendido a mensagem do livro para além do: as pessoas crescidas são muito esquisitas, porque, sinceramente, estou na casa dos vinte e continuo a achar as pessoas crescidas muito esquisitas.
Logo no início o autor descreve os seus dotes enquanto pintor aos seis anos de idade, no entanto, os adultos disseram-lhe para se deixar disso, que devia focar-se em matérias mais úteis no mundo real do que desenhar jibóias abertas e jibóias fechadas. E isso faz-me pensar sobre o quanto os adultos "castram" a criatividade das crianças. A nível pessoal, fui uma criança imensamente sortuda e feliz e os meus pais nunca, em momento algum, me proibiram de criar ou ler fosse que livro fosse e em que idade fosse. Mas, não é apenas na criatividade que os adultos "castram" as crianças. Desde muito cedo que somos rotulados consoante as nossas aptidões e, desde muitíssimo cedo somos obrigados a decidir sobre o nosso futuro. Quantos de nós não quiseram ser determinada coisa mas, mudaram de ideias por ouvir que não se ganhava muito ou, não havia emprego? Isto porque, como em o Principezinho, as pessoas crescidas ficam deslumbradas com números.
Em o Principezinho vemos uma mudança nos comportamentos e valores morais e é, incrivelmente fácil fazer comparações com a nossa sociedade e com a forma como as pessoas bebem as palavras uma das outras, ao invés de olhar para os actos, como a flor do planeta do Principezinho. Sempre acreditei que o verdadeiro valor de cada pessoa reflecte-se nas suas acções mas, adorava ter lido o livro em criança, para me aperceber disso mais cedo ou, pelo menos, ter-me sido dada a oportunidade de tentar perceber.
Somos um planeta lindo, mas cheio de pessoas vaidosas, bêbadas, negociantes, trabalhadoras e curiosas mas, no final, acabamos por não ser nada sem amor. Somos apenas um corpo que não ocupa muito espaço, efémero, um animal que não se distingue dos outros a não ser que seja amado, ou "cativado", como refere a raposa. Mas, ao mesmo tempo que nos apercebemos disso, percebemos igualmente que deixar-nos ser amado, ou cativado, é sofrer e, a verdadeira questão é: vale a pena?
Há provavelmente milhares de livros que rodeiam o assunto, do amar e perder ou nunca ter amado mas, nunca li um livro que fosse directo ao assunto e, o que tirei do livro, e o que sempre foi a minha resposta, é que vale a pena. Sempre. Mais uma vez, somos um corpo, mas somos feitos de algo mais. Porque, sempre que pensamos em alguém que amámos, essa pessoa torna-se real para nós, uma vez mais, seja através de recordações, ou do riso de milhares de estrelas porque, só se vê bem com o coração, porque o essencial é invisível aos olhos.
Outros títulos do autor: 
*O Principezinho
*O Aviador
*Correio do Sul
*Voo Nocturno
*Terra dos Homens
*Piloto de Guerra
*Carta a um Refém 


Sinopse: A collection of the notable last recorded words of the dying, Famous Last Words is, unexpectedly, bursting with life, hope, wisdom, and often laughter. Here are writers, philosophers, athletes, gangsters, kings, queens, movie stars, and politicians, in all sorts of moods and states of preparedness. Some merely want to say goodbye to loved ones, others want to create a legacy. And some are caught completely off guard, like Civil War general John Sedgwick, answering his troops' urgings to take cover: They couldn't hit an elephant at this dist-.
There's the droll: It's the wallpaper or me. One of us has to go (Oscar Wilde); the blasé: How are the Mets doing today? (Moe Berg); the cranky: It wasn't worth it (Louis B. Mayer); the wistful: That was the best ice cream soda I ever tasted (Lou Costello); the optimistic: I shall hear in heaven! (Beethoven); and the overly optimistic: I've never felt better (Douglas Fairbanks). Ultimately, every one of these parting statements is a reflection of the person behind it. Each is accompanied by a mini-biography of the speaker, including the context of death, from the golf course (That was a great game of golf, fellers Bing Crosby) to a favorite armchair (Go on, get out. Last words are for fools who haven't said enough-Karl Marx).


OpiniãoPara os fãs de John Green, Ray Robinson não é um nome estranho. Em À Procura de Alaska, Miles Halter tem uma obsessão com a forma como as pessoas se despedem da vida e abraçam a morte, ou seja, com as últimas palavras.
Depois de ler À Procura de Alaska, eu própria fiquei ligeiramente obcecada com o conceito e encomendei esta pequena - muito pequena - beleza. Na minha cabeça, imaginei o livro como sendo apenas de citações, no entanto, maravilhei-me com o enquadramento de Ray Robinson. Ele escreve não apenas sobre a vida da pessoa, algumas completamente desconhecidas para mim, como do momento exacto da sua morte.
Quando soube que o título tinha "Pessoas Célebres", imaginei que iria conhecer cada um dos nomes mas, como é óbvio, enganei-me. A maioria das citações pertencem a magnatas, senadores e até mesmo presidentes da história americana, os primeiros menos conhecidos neste nosso Portugal. Contudo, Ray Robinson adicionou igualmente citações de nomes memoráveis como Beethoven, Jane Austen, as irmãs Bronte, Ana Bolena e, inclusive, de homens e mulheres que foram condenados à morte por homicídio, entre os quais John Booth. E, algumas das frases são conhecidas do livro de John Green, a mais importante, penso eu é "Aquilo ali e muito bonito", de Thomas Edison.
Dei por mim a rir-me com a não seriedade com que algumas pessoas encaram a sua morte. Um dos exemplos é Georges Danton, condenado por conspiração e condenado à guilhotina, cujas últimas palavras foram: "Tens que mostrar a minha cabeça às pessoas - vale a pena vê-la"; ou de Lady Astor "Estou a morrer ou é o meu dia de anos?"; e, as minha preferidas, de Fred Harvey "Não cortem o fiambre muito fino" e da Condessa de Vercellis: "Óptimo, uma mulher que peida não está morta".
Mas não só, há frases realmente inspiradoras, como a de Amelia Earhart "Por favor, acredita que estou perfeitamente ciente dos riscos. Quero fazê-lo porque quero fazê-lo. As mulheres devem tentar fazer coisas tal como os homens tentaram. Quando falham, o seu falhanço deve ser apenas um desafio para as outras". Ou frases pronunciadas em momentos conhecidos como o naufrágio do Titanic.
É um livro pequeno, realmente pequeno, mas, acho que é um bom complemento à leitura de À Procura de Alaska. É diferente, extremamente rápido de ler e com certeza irá provocar uma mistura de emoções, desde tristeza, saudade por pessoas que nunca conhecemos, e até mesmo divertimento.


Sinopse: No Pandemonium, a discoteca da moda de Nova Iorque, Clary segue um rapaz muito giro de cabelo azul até que assiste à sua morte às mãos de tres jovens cobertos de estranhas tatuagens. 
Desde essa noite, o seu destino une-se ao dos três Caçadores de Sombras e, sobretudo, ao de Jace, um rapaz com cara de anjo mas com tendência a agir como um idiota...

Opinião: Primeiro que tudo, Cassandra Clare é uma das autoras mais presentes nas redes sociais, sejam elas, twitter ou tumblr, o que dá aos seus leitores uma sensação de proximidade e, mais do que uma centena de vezes, a autora deu a sua opinião ou respondeu a questões feitas pelos fãs que abrem um pouco mais daquilo que é as Crónicas dos Caçadores de Sombras constituídas pelos Os Instrumentos Mortais (The Mortal Instruments), Origens (The Infernal Devices), The Dark Artifices, The Last Hours e The Wicked Powers (ainda por publicar), assim como As Crónicas de Bane e Tales from the Shadowhunter Academy. Mas, nem tudo é rosas e, mais do que uma vez, dei por mim a ler comentários ou textos de longas páginas sobre o suposto "plágio" da autora. De que livro?, perguntam os menos informados. Harry Potter de J.K.Rowling, para ser mais exacta.

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OpiniãoE é mais uma fantástica saga que chega ao seu fim. É difícil de dar uma opinião sem estragar a surpresa, mas irei fazê-lo, portanto, será uma opinião livre de spoilers, ou o melhor que conseguir. Podem sempre ir ver o filme e depois ler a opinião para ver se condiz com a vossa e se têm mais alguma coisa a acrescentar.
Primeiro que tudo, A Revolta - Parte 2, começa exactamente onde A Revolta - Parte 1 terminou, até aí, não há surpresas. É uma adaptação extremamente fiel, uma vez que, tendo lido o livro há poucos dias, reconheci os diálogos como sendo o dos livros - LITERALMENTE. Portanto, se alguém está preocupado em que uma determinada frase ou cena, não esteja representado no filme, desengane-se. Contudo, A Revolta - Parte 2, peca por ser rápido nas suas explicações e rápido nas cenas de acção. Durante vinte minutos, nada mais acontece do que um diálogo significativo e no minuto seguinte, BANG.
Como disse nas três opiniões anteriores, que podem ler aqui, os filmes são um óptimo complemento à leitura porque, por muito imaginativos que os leitores possam ser, as cápsulas, o Holo, as ruas do próprio Capitólio ganham, pela primeira vez, vida. Lembro-me que, na minha primeira leitura, não percebia o que era o Holo e as caras do Pelotão Estrela: Cressida, Pollux, Castor, Jackson, Leeg 1 e Leeg 2, perdiam-se nos acontecimentos. O que não aconteceu, de todo, no filme.
Ao mesmo tempo, algumas cenas cruciais têm um desfecho mais emocionante que no livro e outras, de maior emoção, acontecem em pouco mais de dois segundos. Confesso que, como em A Revolta - Parte 1, adoraria ver mais da instabilidade da Katniss, uma vez que essa instabilidade representa as consequências de uma guerra, da dor e da perda, no entanto, no filme, cenas cortadas ou não, Katniss seguiu em frente com relativa "facilidade".
Um grande defeito que dou é a ausência de sangue. Como em Os Jogos da Fome, ou A Revolta - Parte 1, parece haver uma insistência em manter a "pureza" de uma cena que devia ser sangrenta.
A verdade é que, devido às explicações rápidas, às cenas de acção a correr, fiquei com a impressão de que se não tivesse lido livro, não teria percebido o filme na sua totalidade. Algumas mudanças - poucas - são muito bem-vindas, não só porque dá visibilidade a personagens secundários, mas porque saltam alguns momentos mais parados do próprio livro, embora, obviamente, tivesse gostado de ver algumas cenas, entre as quais as pessoas a regressarem ao Distrito 12, ou mais de Johanna. Mas, para mim, a essência da história continua definitivamente lá.
Foi a primeira vez que fiquei completamente satisfeita com o final de uma saga. Para além do que já foi mencionado, não há realmente defeitos a apontar porque no final, acaba por ser uma adaptação extremamente fiel e, o que mais me preocupava, o epílogo, estava lá, lindo, emocionante e maravilhoso. Penso que, para os fãs dos livros de Suzanne Collins, serão duas horas excitantes, muito bem passadas e cheias de emoção.
Outros títulos da colecção
*Os Jogos da Fome - adaptação cinematográfica: aqui
*Em Chamas - adaptação cinematográfica: aqui
*A Revolta - adaptação cinematográfica: aqui aqui


Outros livros da autora
*Gregor - A Primeira Profecia
*Gregor and The Profecy of Bane
*Gregor and the Curse of the Warmbloods
*Gregor and the Marks of Secret 
*Gregor and the Code of Claw



OpiniãoComo aconteceu à maioria dos filmes juvenis como Harry Potter e os Talismãs da Morte de J.K.Rowling, Amanhecer de Stephanie Meyer ou o futuro Convergente e Ascendente (?) de Veronica Roth, A Revolta de Suzanne Collins foi dividida em duas partes, sendo que a segundo está a escassas horas de estrear.
Na maior parte dos casos, faço parte do grupo de pessoas que afirmam que ter o último filme dividido em duas partes não traz benesses para ninguém, salvo raras excepções. No entanto, no caso de A Revolta, como podem ver na opinião do livro homónimo aqui, sou da opinião que o livro podia ter sido muito melhor explorado. Como nas duas opiniões anteriores, aqui e aqui, respectivamente, fui de opinião que os filmes Os Jogos da Fome, ou Em Chamas são um EXCELENTE complemento à leitura e o mesmo aconteceu com A Revolta.
A Revolta é um filme parado, à falta de melhor palavra. Sim, admito, há algumas cenas de acção mas, grande parte dele centra-se na instabilidade mental de Katniss - maravilhosamente interpretada por Jennifer Lawrence - e nos conflitos psicológicos entre o Distrito 13 e o Capitólio.
Pela primeira vez, vemos em primeira mão a dimensão do Distrito 13. As descrições rápidas do livro ganham vida e quase que sentimos o ambiente frio, cinzento e de guerra permanente que se vive. A Presidente Coin - Julianne Moore - personifica cada traço do Distrito 13: frio, cinzento e em guerra. A verdadeira acção, foi deixada para A Revolta - Parte 2 e, A Revolta - Parte 1 é um filme que abre o caminho para a explosão de adrenalina e sofrimento que sabemos que vamos ver. O final de tensão em que somos deixados, evidencia isso mesmo. Isto porque, A Revolta - Parte 1, baseia-se apenas, se não me engano, em 164 páginas.
Tal como nos seus antecessores, em A Revolta - Parte 1, vemos para lá do interior de Katniss. Enquanto nos dois primeiros filmes, vimos o interior do Centro dos Produtores de Jogos, aqui, vemos as manobras e contra manobras, de Plutarch e de Coin e, é-nos dada um background relativamente à decisão de enviar Katniss para o Distrito 12, onde começa o último livro. O porquê de ela se encontrar ali, em primeiro lugar. E, apesar de ser o primeiro filme sem jogos, a pérola de Peeta, aparece como uma constante lembrança daquilo que nos falta - a presença do filho do padeiro. Para além disso, somos arrastados para o resgate de Peeta, Johanna e de Annie. Estamos lá, não apenas na companhia de Gale e de Boggs, que ganha um novo tom no filme, - mas também na de Finnick. Os saltos espaciais entre os dois, são bem-vindos.
É um filme pesado. Katniss parece ter, pela primeira vez, a sua idade. A mera visão do Distrito 12 é o suficiente para deixar o espectador perturbado. Ao contrário do primeiro filme que se contentou em mostrar o sangue derramado e não o ataque, em A Revolta - Parte 1, vemos corpos carbonizados, esqueletos, as cinzas daquilo que foram outrora personagens queridas e, pela primeira vez, a luta torna-se pessoal também para nós, espectadores e, citando a Presidente Coin: a revolução diz respeito a todos. O alívio cómico aparece sob a forma de Effie que, ao contrário do que acontece nos livros, está presente e de boa saúde e, é interessante ver a personalidade rebelde da própria personagem a ganhar vida.
Visualmente, há momentos de cinematografia épica. O meu preferido é, sem dúvida, o momento em que Katniss canta a pedido de Pollux, apoiada pelos mimo-gaios do bosque. A sua voz perde-se lentamente nas vozes dos rebeldes. Katniss é um deles.
A Revolta - Parte 1, não tendo um conteúdo extenso de acontecimentos permite o desenvolvimento da relação entre os personagens. Como já referi, com Peeta, agora desaparecido, Gale ganha um novo destaque e é óbvio que não há, nem nunca houve, algo parecido com um triângulo amoroso, pelo menos, na minha opinião. É-nos revelado mais da sua personalidade fogosa e insensível que irá ter um impacto tremendo no filme seguinte. Ao mesmo tempo, Prim, Mrs. Everdeen e Haymitch ganham uma nova cor. És a única amiga que tenho aqui.
Katniss é uma protagonista defeituosa mas, o espectador assiste de tal modo submerso ao seu sofrimento, que o egoísmo da mesma, passa-nos ao lado, mas Coin e Snow, reconhecem-na pelo que é, alguém que não se importaria de fugir se isso fosse o suficiente para lhe salvar a vida. É alguém que não vê além dos seus interesses egoístas. E, os momentos em que Katniss se revela, são interrompidos por cenas onde homens e mulheres se sacrificam pelo bem maior, pelo que nos esquecemos.
Como aconteceu em Em Chamas com a arena, em A Revolta - Parte 1, os propos ganham textura. Vejo-os exactamente como Plutarch os descreveu no livro, embora fosse incapaz de os imaginar antes de ver o filme. Gostei igualmente da relação que os mesmos estabeleceram com os espectadores, uma vez que muitos deles, foram lançados meses ou semanas antes do filme estrear. De repente, um livro mal explorado torna-se num filme denso e profundo. Uma adaptação maravilhosa
Outros títulos da colecção
*Os Jogos da Fome - adaptação cinematográfica: aqui
*Em Chamas - adaptação cinematográfica: aqui
*A Revolta - adaptação cinematográfica: aqui aqui


Outros livros da autora: 
*Gregor - A Primeira Profecia
*Gregor and The Profecy of Bane
*Gregor and the Curse of the Warmbloods
*Gregor and the Marks of Secret 
*Gregor and the Code of Claw



OpiniãoComo é natural, as pessoas têm diferentes opiniões quanto aos livros criados por Suzanne Collins e, como não podia ser de outra forma, as opiniões relativas aos livros homónimos, também diferem. No que toca à minha pessoa, Em Chamas, foi o meu livro preferido (a opinião do mesmo pode ser lidas aqui) e, em relação ao filme, a minha opinião não mudou.
Em Chamas começa a desenvolver o stress pós-traumático da protagonista e, do mesmo modo, a formar os contornos da revolta que está para vir, e, somos apresentados pela primeira vez há possibilidade da existência de um distrito 13. Como Os Jogos da Fome, seu filme antecessor, cuja opinião podem ler aqui, é uma adaptação extremamente fiel daquilo que foi o livro, no entanto, ao contrário do primeiro filme e, apesar dos actores não apresentarem falhas na sua performance, o director, Francis Lawrence, dá a Em Chamas, mais cor, mas mantendo o esqueleto daquilo que foi o primeiro filme, ou seja, não há mudanças drástica, mas elas estão, efectivamente, lá.
Como já referi, as performances estão no ponto e, embora os livros sejam narrados na primeira pessoa e como tal, bastantes introspectivos, através dos actores conseguimos com facilidade, perceber o que vai na mente de cada um, ou, pelo menos, aquilo que estava escrito no livro. Um dos exemplos é, a morte de Peeta. Até então, um amor encenado, que não conquistou o Presidente Snow, ou outros vencedores como Finnick Odair, é revelado, nesse momento e apenas nesse momento, como verdadeiro e percebemos isso através das interpretações de Donald Sutherland e de Sam Claffin.
Esta trilogia, ao contrário de outras adaptações cinematográficas funciona extremamente bem como complemento à leitura. Como já referi na opinião anterior, em Em Chamas, vemos para lá da arena. Temos total consciência de como funciona o Centro dos Produtores de Jogos e Francis Lawrence, dá-nos cenas adicionais que mostram o quão imensa é a influência de Katniss não só nos distritos como no próprio Capitólio através da neta do próprio Presidente Snow.
No livro, apesar de termos uma ideia, uma visão, o filme dá-nos, de forma maravilhosa, a estrutura da arena, a ideia do que é o relógio, e o horror que cada sector proporciona. É uma experiência visual fantástica e, recuando no filme, há mudanças que são bem vindas. O aparecimento de Johanna Mason - uma personagem para lá de brilhante, - ou o desenho de Rue, feito por Peeta, relembram-nos do quanto os personagens perderam e o que tiveram de sacrificar; algo que não estava no livro. Aqui, realço a banda sonora. Seja no discurso durante o Passeio da Vitória, ou na ceifa, estava no ponto certo. Emocional o suficiente para deixarmos cair algumas lágrimas, mas forte o suficiente para nos fazer sentir revolta pelo Capitólio e pela existência dos próprios jogos.
Ao contrário do que aconteceu com Os Jogos da Fome, o vestuário e, os efeitos especiais criados por Cinna, sobem de qualidade - exponencialmente. No primeiro filme eram, obviamente falsos e, para ser sincera, penso que não impressionaram ninguém; mas, sob a direcção de Francis, o factor UAU, está definitivamente lá.
O que é igualmente divertido de se ver, é a forma como Elizabeth Banks dá vida a Effie. A única personificação do Capitólio que vemos e, por mais insensível que ela se mostre, somos incapazes de não a adorar. E, ao contrário do que aconteceu nos livros, conseguimos sentir, a dor dela, e o começo da percepção de que talvez, e só talvez, os jogos sejam errados, de que eles, o povo de Panem, merece um destino melhor. É a mudança que se desenvolve à frente dos nossos olhos - manobras e contra manobras.
Outros títulos da colecção
*Os Jogos da Fome - adaptação cinematográfica: aqui
*Em Chamas - adaptação cinematográfica: aqui
*A Revolta - adaptação cinematográfica: aqui aqui


Outros livros da autora
*Gregor - A Primeira Profecia
*Gregor and The Profecy of Bane
*Gregor and the Curse of the Warmbloods
*Gregor and the Marks of Secret 
*Gregor and the Code of Claw


OpiniãoPrimeiro que tudo, qualquer leitor sabe que é difícil passar qualquer livro para o grande ecrã. No caso de uma distopia, como é o caso de Os Jogos da Fome, cuja opinião podem ler aqui, é preciso introduzir as características deste mundo futurístico: apresentar os distritos, as diferenças entre os mesmos, o capitólio e as principais características dos jogos em si: dois jovens, um rapaz e uma rapariga de cada distrito, dos doze aos dezoito anos são oferecidos como tributos para relembrar aos distritos as consequências de uma rebelião. Aqui Os Jogos da Fome, não se alarga. Num texto simples e elucidativo, somos imediatamente apresentados à essência do filme. São explicados o como e o porquê.
Para mim o livro e o filme, complementam-se maravilhosamente, isto porque no filme há uma expansão do mundo que não acontece no livro. Uma das primeiras cenas, apresenta Seneca Crane a anunciar ao mundo os jogos como algo que une os distritos, somos expostos à realidade do Capitólio e, ao mesmo tempo que essa cena termina, somos lembrados com os gritos de uma Prim assustada, a realidade por detrás dos mesmos.
Como já referi anteriormente, ler um livro, especialmente um livro escrito na primeira pessoa, é sempre uma experiência muito introspectiva, no entanto, durante o filme, coisas como, a personalidade de Gale salta à vista e, uma personagem que não foi tão amada por mim durante a leitura, ganha uma nova luz. O mesmo acontece com Effie e Haymitch. O filme permite-nos perceber melhor a complexidade, futilidade e até mesmo crueldade do Capitólio. Para quem leu o livro, os fatos de Effie eram somente coloridos e espampanantes, no filme, ganham textura e vida.
Por outro lado, o desespero e a preocupação de Katniss, interpretada de forma mágica por Jennifer Lawrence, passa com facilidade para o grande ecrã.
Para mim, pessoalmente, um dos aspectos negativos é, sem dúvida, a passagens rápida as imagens no início do filme. Não são apenas imagens rápidas mas, muito mexidas, como se tivessem sido filmadas por amadores. Imagens que retratam uma realidade cruel, de pessoas a morrer à fome, mães a despedirem-se dos filhos e crianças assustadas a percorrer o caminho que pode, com facilidade, levá-las à morte. O mesmo acontece na subida para o comboio e, rapidamente se percebe que, a intenção dessas imagens é o de fazer parecer que estamos a ver tudo através dos "olhos" de Katniss mas, para mim, resultou numa sucessão de imagens confusas e que me deixaram com uma tremenda dor de cabeça. Sensível.
Como já referi, ao contrário do que aconteceu no livro, temos acesso às câmaras e à sala dos produtores de jogos e, podemos perceber que cada acontecimento na arena é propositadamente provocado e quais são as razões por detrás de cada uma das acções. Ao mesmo tempo, Ceasar Flickerman e Claudius Templesmith são aquisições brilhantes para descrever o jogos, para explicar algo que um espectador que não tivesse lido o livro não perceberia, uma vez que Katniss quase não fala durante os primeiros dias na arena. Para além disso, temos acesso ao que se passa nos distritos, nomeadamente no 11 e no 12 e podemos perceber que a faísca que Katniss lançou começou com a morte de Rue.
Donald Sutherland interpreta o infame Presidente Snow e, sinceramente, penso que não podia ser de outra forma. Tal como vemos os produtores e os distritos, compreendemos melhor as motivações do Presidente e do porquê da existência dos jogos. A sua mente distorcida e cruel é quase dolorosamente atractiva. Ele apresenta-se como alguém benevolente que justifica as suas acções com acontecimentos do passado, alguém que não tem problema nenhum em mandar vinte e três crianças para a morte, e transformar uma delas numa assassina. Ou em castigar alguém pelos actos de outro, nomeadamente Seneca Crane, alguém que até ao lançamento do filme, não tinha rosto para nós, leitores.
Tal como nos livros, o meu gosto pelo aparecimento do mutantes era zero e, preferia que a autora se tivesse mantido dentro do espectro do que é real porque, como temia, os mutes no filme, não são atraentes ou assustadores e não parecem minimamente reais. Neste filme, os efeitos especiais, que incluem também os "fatos espectaculares" de Katniss e Peeta na quadriga, parecem falsos e feios.
Os jogos são fieis ao que é descrito no livro, não há dúvidas e, apesar de algumas cenas cortadas, como as horas de desidratação, acabam por ter repetições e por serem cenas paradas. No entanto, apesar de ser uma óptima adaptação, há diferenças: a Madge não existe, Katniss compra o próprio pin que mais tarde lhe dará um nome e oferece-o a Prim que, mais tarde, o oferece a ela; os tributos dos Distritos 1 e 2 treinam em academias especiais até aos 18 anos de idade; a equipa de preparação parece assustadora e não tonta; Katniss não fica surda e Peeta não perde uma perna. No entanto, são pequenos pormenores porque, de resto, é uma adaptação fiel, muito fiel, ao livro.
Outros títulos da colecção
*Os Jogos da Fome - adaptação cinematográfica: aqui
*Em Chamas - adaptação cinematográfica: aqui
*A Revolta - adaptação cinematográfica: aqui aqui


Outros livros da autora
*Gregor - A Primeira Profecia
*Gregor and The Profecy of Bane
*Gregor and the Curse of the Warmbloods
*Gregor and the Marks of Secret 
*Gregor and the Code of Claw


Sinopse: Katniss Everdeen não devia estar viva. Mas, apesar dos planos do Capitólio, a rapariga em chamas sobrevive e está agora junto de Gale, da mãe e da irmã no Distrito 13. Recuperando pouco a pouco dos ferimentos que sofreu na arena, Katniss procura adaptar-se à nova realidade: Peeta foi capturado pelo Capitólio, o Distrito 12 já não existe e a revolução está prestes a começar. Agora estão todos a contar com Katniss para continuar a desempenhar o seu papel, assumir a responsabilidade por inúmeras vidas e mudar para sempre o destino de Panem - independentemente de tudo aquilo que terá de sacrificar... 




Book Trailer: 
Opinião: Para mim é completamente impossível dar uma opinião sobre A Revolta sem revelar alguns detalhes. Podia falar da escrita, de como a história me comoveu, e de como Suzanne Collins criou um mundo fantástico, mas não é sobre isso que quero escrever. Quero sim, discutir alguns pormenores que me deixaram decepcionada, confusa ou emocionalmente destruída, por isso, caso não tenham pegado no livro - o que raio andaram a fazer? - ou queiram ser surpreendidos no filme, por favor, não continuem: AVISO DE SPOILERS.
Primeiro que tudo, certamente não sou a única a pensar que A Revolta podia ter sido melhor explorado. Ao contrário de Em Chamas, onde Suzanne Collins encontrou o equilíbrio perfeito entre o romance, o medo e o desenrolar da acção, sem os jogos da fome ou sem um quarteirão para matar crianças inocentes, pareceu-me que a autora não sabia muito bem o que fazer com a história. O início começa de forma promissora: estamos no mesmo local onde começou Os Jogos da Fome, naquilo que era a cama onde a Prim dormia. Há um círculo que se fecha. No entanto, à medida que entramos no mundo do Distrito 13, o mal da autora em Os Jogos da Fome, repete-se. As mesmas cenas são escritas vezes e vezes sem conta. Não há um desenrolar da história em cem páginas e, quando esse desenvolvimento acontece, é em excesso. Um dos exemplos, mais uma vez, aviso de spoiler, é a morte de Finnick Odair, um personagem querido para muitos, inclusive para a protagonista, um dos personagens que merecia mais. E sim, em A Revolta há uma guerra, e é necessário seguir em frente para alcançar um objectivo ou para salvar a própria vida mas, isso não deve ser impedimento para dar mais do que duas linhas em relação à morte de um personagem que desempenhou um papel fundamental, que se tornou amigo e confidente da líder, e que cresceu no coração do leitor.
A ausência de Peeta é notória. Há um espaço em branco que deve ser preenchido desde o início do livro e nem mesmo Gale, com uma presença mais marcada é capaz de preencher. Contudo, o leitor tem a possibilidade de conhecer melhor aquele que é descrito como o melhor amigo de Katniss, o companheiro de caça, aquele por quem ela luta e por quem ele luta, aquele a quem ela era capaz de depositar a sua vida e de quem nunca desconfiou. No entanto, após a morte trágica que acontece no fim, após o cessar da guerra, Gale desaparece depois de um diálogo de uma página para nunca mais ser visto.
Claro que há momentos bons, muito bons, até. A instabilidade emocional de Katniss e mesmo de Finnick é descrita de forma real, sem paninhos quentes. Este tipo de instabilidade não é comummente descrito em livros do mesmo género, mas é o que torna Katniss, Finnick, Johanna e até mesmo Haymitch humanos, humanos que passaram por muito e que viram demais e aqui, Suzanne Collins faz um trabalho excelente e de cortar a respiração. Para além disso, a transformação de Peeta, já pronunciada em Os Jogos da Fome, o reencontro com Katniss e as consequências da sua transformação, elevam A Revolta a outro nível. Nenhum dos personagens é o mesmo. Tudo está diferente. As conversas entre Katniss e Peeta são a lembrança de isso mesmo. Lembranças ternas, que despertam com facilidade emoção no leitor.
Suzanne Collins tem uma capacidade enorme de transformar as personagens e de criar um mundo excepcional, no entanto, pecou, em muito, com a qualidade do desenvolvimento e da acção. Para além da repetições, há acontecimentos que resultam do acaso: o encontro com a equipa de preparação ou o encontro com o presidente Snow, são pequenos exemplos. Por outro lado, há momentos desnecessários e, um dos exemplos é o tiro no Distrito 2. Há um excesso de estadia no hospital. Um excesso de descrição de medicação.
Repetições. Repetições. Repetições.
Para além do aspecto rápido da acção e do pouco desenvolvimento, tal como em Os Jogos da Fome não apreciei a presença dos mutantes e dos casulos fantasiosos: raios que derretem as pessoas, uma onda de gel, um chão que se abre, homens lagarto, trituradores de carne... Preferia que Suzanne Collins se tivesse mantido fiel aos aspectos práticos e reais de uma guerra. Mas, são gostos.
A última morte, o verdadeiro sacrifício, o acto que acabou com a guerra foi, sem dúvida, a morte de Prim. O que veio depois, a dor, a verdade sobre a sua morte, a sua ausência, está maravilhosamente descrito e é de trazer lágrimas aos olhos. As palavras que Katniss ouve enquanto está em chamas, as mesmas palavras que Prim pronuncia no dia da ceifa quando a irmã mais velha se voluntariou para a salvar, são, um círculo perfeito e, é aqui que A Revolta se redime porque, por muito mau ou decepcionante que um livro seja, regra geral, recordamos melhor a sua conclusão e a de A Revolta é, provavelmente, uma das melhores.
Contudo, apesar de emocionalmente apelativo, há incongruências. Apesar do assassínio de Coin, Katniss vota a favor de um novo jogo da fome, desta vez com crianças do capitólio, crianças inocentes, crianças que, como ela própria e Prim, não passaram de peões num jogo que nunca foram capazes de controlar e decidido como forma de castigo - qual seria a diferença? Essa reviravolta no pensamento de Katniss deixou um quanto a desejar. E, para além disso, há buracos que ficam por tapar. Ficamos sem saber o que aconteceu a Effie? Ela aparece no fim, minimamente composta, mas no primeiro e no segundo volume sabemos que Effie e Haymitch trabalham em conjunto para o bem-estar dos tributos, então porque é que ela não estava na aeronave? Porque é que ela, sendo uma peça fundamental no início de cada jogo, passou despercebida durante um livro inteiro? O que aconteceu a Johanna? Alguém que no decorrer do volume se tornou importante e, como Finnick ganhou um lugar especial na vida da protagonista e no coração do leitor?
Claro que o Epílogo, o que veio depois para Katniss e para Peeta, é belo. Uma página e meia que culmina num turbilhão de emoções. Há um futuro, há provavelmente um casamento, há filhos, mas eles não esqueceram. Suzanne Collins é uma das poucas capazes de retratar as consequências que um evento trágico ou uma guerra podem ter sobre uma pessoa, mais do que as consequência físicas. O trauma da guerra, da dor e da perda continuam presentes. O tempo acalmou-os talvez. Ou apenas arranjaram uma maneira de lidar com a situação sem se deixar afogar no desespero. Katniss é humana. E a última frase de A Revolta é provavelmente uma das mais fortes que já li.
Outros títulos da colecção:
*Os Jogos da Fome - adaptação cinematográfica: aqui
*Em Chamas - adaptação cinematográfica: aqui
*A Revolta - adaptação cinematográfica: aqui aqui

Outros livros da autora:
*Gregor - A Primeira Profecia
*Gregor and The Profecy of Bane
*Gregor and the Curse of the Warmbloods
*Gregor and the Marks of Secret 
*Gregor and the Code of Claw


Sinopse: Contra todas as expectativas, não só Katniss Everdeen venceu os Jogos da Fome, como pela primeira vez na história desta competição dois tributos conseguiram sair da arena com vida. Mas o que para Katniss e Peeta não passou de uma estratégia desesperada para não terem de escolher entre matar e morrer, para os espectadores de todos os distritos foi um acto de desafio ao poder opressivo do Capitólio. Agora, Katniss e Peeta tornaram-se os rostos de uma rebelião que nunca esteve nos seus planos. E o Capitólio não olhará a meios para se vingar...





Book Trailer: 

Opinião: Em Chamas, ao contrário do que aconteceu com Os Jogos da Fome, cuja opinião podem ler aqui, possui uma história mais aprofundada. Pela primeira vez, conhecemos outros distritos, é-nos dado a conhecer mais sobre a história de Panem, a futilidade das pessoas do Capitólio é mais explorada, e a crueldade do Presidente Snow começa a ganhar novas formas. E, ao contrário do primeiro volume, Em Chamas mantém um ritmo constante de acontecimentos. Enquanto que em Os Jogos da Fome, havia vários momentos parados, ou de repetições de tarefas quotidianas, neste segundo volume Suzanne Collins encontra o equilíbrio perfeito.
Os contornos da revolta dos distritos começam lentamente a formar-se e é interessante ver a perspectiva da protagonista em relação à mesma. A verdade é que Suzanne Collins não nos deu uma personagem perfeita e altruísta, pelo contrário. Katniss Everdeen preocupa-se exclusivamente consigo e com os seus. A maldade do Capitólio e do próprio presidente para com os seus habitantes, é-lhe indiferente, a não ser quando aqueles que ama são magoados. E, tais características, são raras. Na maior parte das vezes é-nos apresentada uma protagonista que QUER estar na frente de batalha e que QUER sacrificar-se para o bem maior. Katniss é um mero peão nas mãos de pessoas mais inteligentes e influentes. Refrescante.
No entanto, para além da protagonista, Em Chamas oferece-nos um novo leque de personagens, a maior parte, para mostrar os diferentes caminhos que os vencedores tomaram, seja o álcool, a droga, a prostituição, a solidão, a loucura e a ciência. Caminhos que convergem neste segundo volume. Caminhos que levam a um único propósito. Katniss. É interessante ver a dinâmica entre as diferentes personagens no que toca à protagonista, a forma como a própria se mantém na escuridão, indiferente ao que se passa à sua volta, às relações "sombra" entre Finick, Beete ou Johanna, que mantém, ao mesmo tempo, o leitor na sombra até ao final explosivo. Literalmente.
Em A Rainha Vermelha de Victoria Aveyard, cuja opinião podem ler aqui, há uma verdade incontestável: não se pode colocar a revolução em causa devido a um romance adolescente. No entanto, em Os Jogos da Fome ou Em Chamas, vemos precisamente o contrário. Um romance adolescente a "tentar" amainar uma revolução sendo, contudo, mal sucedido. São vários os livros que retratam o amor adolescente e revoluções mas penso que Suzanne Collins relacionou maravilhosamente os dois e, para ser sincera, não tenho nada de negativo a apontar.
Outros títulos da colecção
*Os Jogos da Fome - adaptação cinematográfica: aqui
*Em Chamas - adaptação cinematográfica: aqui
*A Revolta - adaptação cinematográfica: aqui aqui


Outros livros da autora
*Gregor - A Primeira Profecia
*Gregor and The Profecy of Bane
*Gregor and the Curse of the Warmbloods
*Gregor and the Marks of Secret 
*Gregor and the Code of Claw


Sinopse: Num futuro pós-apocalíptico surge, das cinzas do que foi a América do Norte, Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópode, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. Uma anterior revolta fracassada dos Distritos contra o Capitol resultou num acordo de rendição em que todos os Distritos se comprometeram a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome - um espectáculo sangrento de combates mortais com transmissão televisiva onde o lema é « matar ou morrer». No final, apenas um destes jovens escapará com vida... Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, num acto de extrema coragem, um desafio desumano que a obrigará a escolher entre a sobrevivência e a solidariedade, a vida e o afecto cada vez maior que tem por Peeta, seu companheiro de Jogos. Conseguirá Katniss, face a circunstâncias tão avassaladoras, conservar a sua vida e a sua humanidade? 

OpiniãoPoucos dias antes de estrear o último filme dos livros de Suzanne Collins, decidi reler a trilogia que tanto encanto provocou no mundo. Em 2012, um pouco antes das férias de verão, apaixonei-me pelo official trailer, do filme homónimo. Não sabia absolutamente nada sobre a autora, ou sobre o mundo e, confesso, pouco ou nada sabia sobre distopias. Os Jogos da Fome apresentaram-me e, não tenho dúvidas, a muitos como eu, a mundos com sociedades alternativas e disfuncionais e abriram-me portas para um novo género de literatura até então desconhecido para mim.
A realidade criada por Suzanne Collins, intrigou-me por ter uma componente de reality show - quantos de nós não perdem horas, a admirar a vida de outros? quantos nós não se entusiasmam ou enojam com as atitudes dos concorrentes deste tipo de programa televisivo? Muitos, diria eu. E, não posso ser hipócrita, sou uma delas. Talvez seja desse tipo de gosto que surja a admiração pelos livros de Suzanne Collins, uma espécie de gladiadores em directo. A autora admitiu em entrevistas que a ideia surgiu num momento de zapping, um momento em que alternou no espaço de segundos entre um reality show e um noticiário de guerras e catástrofes. Quão, disfuncional está a nossa sociedade? Quantos de nós já vêem as notícias de mortes, cheias, incêncios, acidentes quase com desinteresse? Até que ponto é que podemos chegar?
Os Jogos da Fome retratam o extremo do que é a nossa sociedade. Penso que é por aí que está o encanto. E não só. A protagonista, Katniss Everdeen é tudo, o que uma personagem deve ser. É, essencialmente, defeituosa. É impossível não reparar na falta de compaixão perante a dor dos outros ou no egoísmo. Mas, é isso que a torna próxima do leitor. Eu consigo percebê-la, porque ela é retratada como uma humana. Não é nenhuma super-heroína. Não é a donzela que o príncipe tem de salvar. E, acima de tudo, não é colocada num pedestal acima de qualquer outra personagem. Sim, o livro centra-se em Katniss, narrado na primeira pessoa não podia ser de outra forma, mas é, sobretudo, um livro de sobrevivência, por enquanto.
Para além de um mundo diverso, Suzanne Collins ofereceu-nos um conjunto complexo de personagens e, um final imprevisível. Numa primeira leitura, penso que é impossível prever a decisão de Katniss, aliás, penso que, Os Jogos da Fome é um daqueles livros em que avançamos à medida que a protagonista avança. Não há espaço para suposições, principalmente porque vamos descobrindo mais sobre Panem e os Distritos à medida que a autora o deseja. O leitor não faz mais do que ir ao sabor da corrente.
É uma leitura fácil e envolvente. Não há dúvida. No entanto, por ser um livro sobre sobrevivência numa arena onde não podemos confiar em ninguém, acaba por ser um livro lento no que toca ao desenvolvimento: poucos diálogos, muitas repetições. Para além disso, os mutantes inseridos para criar o grande final, não me convenceram: «parecem-se com lobos enormes, mas que tipo de lobos aterra e depois facilmente se ergue sobre as patas traseiras? Que tipo de lobo incita o resto da alcateia a avançar com um aceno da pata dianteira como se tivesse um pulso?». Mas, o que Os Jogos da Fome perde com esse desenvolvimento lento, ganha com as descrições pormenorizadas, com as relações complicadas e com a própria curiosidade do leitor. É impossível não querer saber mais.
Outros títulos da colecção
*Os Jogos da Fome - adaptação cinematográfica: aqui
*Em Chamas - adaptação cinematográfica: aqui
*A Revolta - adaptação cinematográfica: aqui e aqui


Outros livros da autora
*Gregor - A Primeira Profecia
*Gregor and The Profecy of Bane
*Gregor and the Curse of the Warmbloods
*Gregor and the Marks of Secret 
*Gregor and the Code of Claw