Sinopse: Após ter suportado o que há de pior em Vaughn, Rhine encontra um improvável aliado no seu irmão, um inventor excêntrico chamado Reed. Obtém refúgio na sua casa em ruínas, apesar de as pessoas que deixou para trás se recusarem a permanecer no passado. 
Enquanto Gabriel assombra as memórias de Rhine, Cecily está determinada a continuar ao lado de Rhine, embora os sentimentos de Linden estejam ainda divididos entre ambas. Entretanto, o crescente envolvimento de Rowan na resistência clandestina obriga Rhine a procurá-lo antes que faça algo de irremediável. Mas o que descobre pelo caminho tem implicações alarmantes no seu futuro e no passado que os pais nunca tiveram oportunidade de lhe explicar. 

Opinião
Se há uma coisa que é notória no decorrer dos volumes é o desenvolvimento de Cecily, a mais nova das irmãs-esposas. Cecily é uma daquelas personagens que é um "gosto que se adquire com o tempo", com a sua personalidade errática e intensa. É-nos apresentada como uma criança mimada que é obrigada a crescer e, sem dúvida, uma das personagens fulcrais e mais cativantes nesta trilogia. Cecily que passou de criança, a mãe e depois a viúva e assassina no espaço de três livros.



Cecily, a única personagem que me desagradou e que acabou por ser fundamental para o finalizar da história. Rhine aparece apagada e Cecily acaba por ser o centro da ação, a corrente que move a água.
Vaughn, por outro lado, apresenta-se como um vilão dúbio. Linden, quase ausente em Delírio, apresenta-se fundamental em Separação, confrontado pelas ações do pai, ignorante da crueldade e rudeza do homem que ama. É ele que nos apresenta a Reed, irmão de Vaughn, com uma personalidade oposta, mas com desenvolvimentos semelhantes, pois enquanto as ações de Vaughn mataram Jenna, as ações de Reed tiraram a vida a Linden. Penso que isso foi propositado, de forma a mostrar que a sobrevivência tem o seu preço, assim como a liberdade.
Em Rhine nota-se o cansaço. Rowan é o que a move e são raros os momentos que pára para pensar em Gabriel e, nos momentos em que pouco ou nada faz, a sua cabeça e o seu coração são ocupados por Cecily e Linden, pelo medo e ciúme da relação dos dois. Penso que Lauren DeStefano não queria criar uma história de amor, frequente em livros do mesmo género, mas sim de luta e sobrevivência. Mas mesmo que fosse não acho que pertencesse a Gabriel e Rhine.
Rose, morta nas primeiras páginas de Raptada, aparece-nos novamente e, apesar de ser óbvio, pelas constantes comparações, não percebi até Linden o referir a Madame.
Rhine, Rose, Madame, as ligação são infinitas, o resultado estava nas entrelinhas, pequenas pistas dadas um bocadinho de cada vez.
Os pais de Rhine e Rowan aparecem com um maior enfoque e não podia ter ficado mais desagradada. Embora houvesse amor, revelado aos poucos pelas memórias de Rhine, não o senti neste volume. Não sei até que ponto Rhine e Rowan não eram experiências. Qual é a linha que separa um filho de uma cobaia? Mas fiquei agradada por finalmente perceber a origem do nome "Jardins Químicos".
A cura pareceu-me quase fácil (?). O Hawaii e a ausência do vírus levou-me a encarar o livro quase do mesmo modo que Convergente de Veronica Roth. Foram-nos dadas pistas de que o mundo podia ser diferente, que os livros de história tinham sido alterados, no entanto, nunca nos foi dada nenhuma prova em concreto. Foi preciso ver para crer.
Separação encerra a trilogia dos Jardins Químicos, uma história de sobrevivência e de ética. Até onde é que estamos dispostos a ir por aqueles que amamos? Com um desenvolvimento lento, acaba por ser uma experiência enriquecedora em termos de evolução dos personagens e do próprio ambiente. Como referi nas opiniões dos últimos dois livros, Raptada e Delírio, acaba por ser uma experiência quase sensitiva, devido às descrições detalhadas, pormenorizadas e, acima de tudo, cruas. Não há a romantização da prostituição, do abandono e da crueldade do ser humano. Recomendo.
Outros títulos da colecção: 
*Raptada
*Delírio
*Separação


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