SinopseAssumir o seu papel como líder não estava nos planos de Alexia White, mas quando a sua mãe perde a vida num terrível assalto ao castelo, ela vê-se sem opções. 
Num mundo onde os fracos se distinguem dos fortes pelos dons que possuem, Alexia está no topo da lista e precisa de aprender a lidar com os seus dons se pretende recuperar Starnyz das garras do traidor. Ian Bealfire, um homem que exala arrogância e prepotência por todos os poros, parece disposto a ocupar o lugar de seu Mestre. 
Há quem diga que a jovem está destinada a salvar o mundo mas despedaçada pelas perdas que sofreu e assombrada pelas memórias do passado, será mesmo capaz de o fazer, quando nem a si parece ser capaz salvar?


OpiniãoSou a primeira a afirmar que desconhecia o mundo criado por Tânia Dias até ao momento em que a mesma, muito generosamente, me disponibilizou o seu livro. Mais uma vez, como no caso de Dud@ com Elfanos - O Legado, com Despedaçada - Broken, voltamos à eterna discussão do: o autor português não escreve fantasia que se lhe diga, mas, tal como na opinião de Du@, onde abordo o tema com maior profundidade (aqui), a verdade é que a minha história com autores portugueses, não é, nem por sombras, a melhor, por isso, fico sempre ligeiramente reticente porque, mais uma vez, não podemos deixar de o comparar a outros do mesmo género.


Em Despedaçada de Tânia Dias, é-nos apresentado um universo de fantasia onde os elementos, como o Fogo, Ar, Água, Terra, Vida e Morte, são essenciais. Não é a primeira vez que leio algo com o mesmo registo, pelo contrário. São vários os exemplos onde os elementos são as formas de magia utilizadas mas, neste caso, admito que me recordou Marcada de P.C.Cast e Kristen Cast devido à forma ritualista como era suposto acontecer. Mas, a verdade é que ao longo do livro, as diferenças começam a surgir, devagar, mas aparecem, diferenciando o livro e transformando-o em algo único. No entanto, Despedaçada é um livro mais dedicado à construção de uma relação do que um mundo, o que é uma pena, visto que os alicerces estão lá; contudo, a autora foca-se quase unicamente em Ian e em Alexia, discriminando não apenas o seu próprio universo como outras personagens secundárias nomeadamente Aaron e Sophie, duas personagens que deviam criar algum tipo e empatia, mas que não passaram de pano de fundo. Admito que, todo o calor, todas as reacções provocadas por Ian na protagonista, todas as emoções repetitivas, foram ligeiramente cansativas e previsíveis.
Mais uma vez, a construção do mundo é pobre e a autora - propositadamente, ou não - mantém o leitor no escuro durante muito tempo. E aqui, não me refiro à história, - por exemplo, em Trono de Vidro de Sarah J. Maas só conhecemos o passado da protagonista, muito à frente nas páginas - mas sim a peças fundamentais como explicações para o seu mundo, nomeadamente dos reinos, de como a sociedade funciona, o que, mais uma vez, é uma reflexão da forma como a autora decidiu contar a história, focando-se quase exclusivamente na relação Ian-Alexia.
Há uma imaturidade latente à protagonista; Alexia, alguém que perdeu quase tudo, devia ser o exemplo de alguém que anda à deriva, no entanto, a sua infantilidade e a sua falta de profundidade inicial afastou-me dela, ao ponto de, no início, pouco me interessar pelo que lhe acontecia. Um dos exemplos decorre durante um assalto, feito sem nenhum tipo de preparação. A impulsividade é uma característica presente em grande parte das protagonistas dos dias de hoje mas, há formas de saltar para a frente de uma batalha, e há formas de saltar para a frente de uma batalha. Penso que, neste ponto, faltou uma imensa camada à história. Por vezes, os autores pecam por demasia e aqui, penso que Tânia Dias pecou por falta de pormenores.
Faltava algo. Não me interessei o suficiente pela protagonista e mesmo o final, o plot twist, foi um pouco previsível. Não o quê, em si, mas a ideia de que podia haver algo por detrás de certas acções. Admito que, a própria ideia de ser a escolhida, a única capaz de salvar este e aquele mundo, me incomodou, uma vez que começa a ser uma ideia mais do que utilizada e reciclada. No entanto, pseudo-funcionou e, como é óbvio, irei continuar a seguir o trabalho de Tânia Dias com muito gosto.
Outros títulos da colecção
*Despedaçada - Broken
*Despedaçada #2
*Despedaçada #3


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