Sinopse: No one knows why Juliette's touch is fatal, but The Reestablishment has plans for her. Plans to use her as weapon. But Juliette has plans of her own. After a lifetime without freedom, she's finally discovering a strength to fight back for the very first time - and to find a future with the one boy she thought she'd lost forever. 

I have a curse. I have a gift. 
I'm a monster. I'm more than human. 
My touch is lethal. My touch is power. 
I'm their weapon. I will fight back. 

Opinião: Depois do The Unbecoming of Mara Dyer de Michele Hodkin, chegou a vez de Shatter Me de Tahereh Mafi. À semelhança do primeiro, Shatter Me relata as aventuras e desventuras de uma protagonista capaz de provocar a destruição e a morte daqueles que a rodeiam com um simples toque. Esta não é uma ideia nova, tendo sido já reciclada múltiplas vezes ao longos dos anos, seja nos livros ou no cinema, nomeadamente na saga X-Men com Rogue - embora de forma diferente. Na verdade, para os últimos capítulos, Shatter Me assemelha-se bastante ao mundo dos X-Men com a multiplicidade de poderes, a sensação de rejeição, seguida da sensação de pertença.
Shatter Me é um livro de emoções. Num mundo distópico onde a busca por poder reina sobre o bem-estar dos cidadãos comuns, somos apresentados a uma protagonista mentalmente instável. Aqui, a autora faz maravilhas com a repetição sistemática de frases e com o uso das "palavras rasuradas". Fá-lo para evidenciar as verdadeiras emoções da protagonista ou a verdade por detrás de palavras fingidas. É uma dinâmica que nunca tinha experimentado durante uma leitura - refrescante. As emoções variam ao longo das páginas à medida que Juliette Ferrars aprende mais sobre si mesma e sobre a sua história e daqueles que a rodeiam. 

(Continua)

No entanto, é impossível não sentir que há demasiadas coincidências, que há demasiadas conveniências com a história e com o romance - Adam, o único - ou não - capaz de tocar  na protagonista sem sofrer dores insuportáveis que podem ser fatais. Não faço ideia se a proximidade dos dois é ou não explicada nos volumes seguintes ou se é, pura e simplesmente explicado como "o destino" mas, seja como for, neste momento a coincidência e a forma como nos foi apresentado pareceu-me demasiado forçado e irreal. O mesmo tipo de romance acontece com The Unbecoming of Mara Dyer mas a forma como o leitor absorve a parte romântica, está directamente relacionada com a forma como a autora decide apresentar o romance e os protagonistas da relação e que nos dois casos são diferentes. 
Mas, para além disso, a verdade é que não me identifiquei por aí além com a Juliette, uma protagonista dramática com uma dificuldade abismal em se adaptar e que neste volume agia como uma agente passiva nos acontecimentos da sua própria vida, tendo sido poucos os momentos em que decidiu tomar as rédeas e tomar uma decisão por si mesma sem sofrer nenhuma influência de outros elementos secundários. E, sim, compreendo o intuito da autora e não tenho dúvidas de que haja algum tipo de evolução nos próximos volumes, assim como uma aceitação da sua verdadeira natureza - mas posso estar errada, mas a sua falta de decisão e de garra, tornaram a leitura emocionalmente repetitiva. 
Há muito que não me debruçava sobre o mundo distópico e a sensação que tive foi de que não há uma grande diferença, ou seja, ainda não há um factor que faça Shatter Me destacar-se, a não ser pela protagonista. O mundo ficou um pouco aquém daquilo que eu estava à espera, talvez por ter as expectativas altas e o próprio antagonista - Warner - aparece estranhamente desequilibrado e há pouco que o caracterize como o "mau da fita" e aqui, questiono algumas das decisões da autora pois, para além disso, parece-me que nos estamos a dirigir para um desenvolvimento doentio de um triângulo amoroso que, na minha opinião, não devia existir. 
Uma outra deficiência - chamemos-lhe assim, - de Shatter Me é o humor. Nas primeiras duzentas páginas ele é ausente. São poucos os motivos para esboçarmos um sorriso perante a estranheza e negritude do mundo, da situação de aprisionamento e da possível loucura de Juliette e só muito mais tarde, com o aparecimento de um quarto e de um quinto interveniente, é que Tahereh Mafi nos bafeja com motivos para rir e com momentos de leveza que animam a leitura. Para além disso, a ausência de força feminina - uma vez que não há mais nenhuma mulher para além da protagonista - também me incomodou. 
Porém, apesar das dificuldades acima citadas, apreciei a leitura - muito. As páginas passaram a voar e, mais uma vez, a curiosidade lançou-me para a frente. Não é um mau primeiro livro de uma série e vejo - claro como água - todo o potencial do mundo e da própria protagonista, apesar dos momentos mais previsíveis e livres de humor. É um livro interessante e a escrita da autora é belíssima, recheada de metáforas - algumas estranhas, admito - e de parágrafos poéticos que aproximam o leitor da instabilidade e das emoções de Juliette. Sei que não é uma escrita para todos os gostos, pois falta-lhe a subtileza de uma frase directa, sendo que muitas das vezes a autora usa todo um parágrafo para dizer algo simples como: está a chover - mas, ainda assim, foi uma mudança bem-vinda. 

I'm oxygen and he's dying to breathe.


2 Comentários

  1. Este livro chama-me à atenção desde que o vi no bookdepository, quero mesmo tê-lo na minha estante!

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    1. É uma boa leitura! :) E no BookDepository é sempre baratinho ;)

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