Opinião: Não sou a pessoa mais familiarizada com as obras e as adaptações de Stephen King, no entanto, IT, ao contrário de A Torre Negra, chamou-me a atenção pela quantidade de críticas, algumas das quais impressionantes e, sendo uma apaixonada irremediável por filmes que me deixam na ponta da cadeira e com o coração nas mãos, vi-me obrigada a assistir. Realço que não li o livro IT, não vi a mini-série com o mesmo nome e conceito, nunca vi nada remotamente revelador do final ou do conteúdo do próprio filme.

(Continua)

Um dos pontos mais positivos foi, sem dúvida e penso que é uma opinião unanime: o casting. Cada uma das minorias parecia representada no grupo de crianças intitulados de "The Loser's Club", sendo os meus favoritos Sophia Lillis como Beverly e Finn Wolfhard como Richie, este último com a  função de alívio cómico - demasiadas vezes para um filme considerado de terror. Todas os pequenos actores, sem excepção, mostraram emoções diferentes já que cada um representava uma vivência  ou trauma diferente, pois IT não é apenas um filme sobre um palhaço assustador mas leva o espectador a envolver-se igualmente em tópicos pesados como o racismo, hipocondria, bullying e para mim, o mais chocante de todos, pedofilia, com um enorme destaque para Sophia Lillis que foi capaz de mostrar emoções como o medo e a raiva através de um simples olhar. A atmosfera da década de 80 foi também ela, conseguida e muito realista fosse através dos cenários ou das roupas.
Foi um filme interessante, sem dúvida. Mas, talvez pelas expectativas demasiado elevadas ou pela ausência de conhecimento da minha parte, IT não me deixou deslumbrada, pelo contrário, penso que, de terror acaba por ter muito pouco já que, excepto as corridas de Pennywise e o barulho inesperado, IT não provocou em mim nenhum tipo de medo irracional ou paranóia que já experienciei com filmes como A Invocação do Mal, Paranormal Activity ou Mensageiro dos Espíritos. É um tipo diferente de filme de terror, mais sobrenatural e, estranhamente, mais humorístico já que dei por mim a rir mais vezes do que aquelas que estava assustada. 
IT precisava de mais. Para alguém, como eu, que não sabe absolutamente nada, a informação que nos é dada sobre Pennywise é muito pouca e é uma das coisas  a que dou mais valor em qualquer filme: a história que suporta o elemento de terror ou paranormal ou sobrenatural. IT passou mais tempo a desenvolver a relação entre os personagens e Pennywise do que a construir uma narrativa que se ligasse de forma perfeita - fosse aos desaparecimentos do passado, à justificação da apatia dos adultos, ao beijo estilo bela adormecida, fosse ao destino das próprias crianças desaparecidas e flutuantes. E quando o fez, foi de forma atabalhoada e rápida, não dando tempo ao espectador de absorver a totalidade daquilo que está a ver. Bill Skarsgaard como Pennywise, o Palhaço Dançarino assustou, mesmo parado e a sua aparência e as suas formas de actuar perversas levaram-me a desviar os olhos algumas vezes mas, como já disse, pouco mais. 
IT acabou por ter uma quota superior de comédia que de terror e terminou com a esperança de um futuro e a promessa de um regresso encarnado na visão de Beverly enquanto adormecida e de uma sequela para o ano de 2018.

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