Sinopse: Dustwalk is an unforgiving, dead-end town. It's not a place to be poor or orphaned or female. And yet Amani Al'Hiza must call it "home". 
Amani wants to escape and see the world she's hear about in campfire stories. 
Then a foreigner with no name turns up, and with him she has the chance to run. 
But the desert plains are full of dangerous magic. The Sultan's army is on the rise and Amani is soon caught at the heart of a fearless rebellion...

Opinião: Com Rebel of the Sands foi a primeira vez que me debrucei sobre uma leitura cujo setting resulta de uma mistura da mitologia árabe e das vivências do médio oriente com o faroeste. É uma mistura que não pensei que fosse deixar uma sensação tão entusiástica como a que deixou, mas a verdade é que o fez. Para qualquer leitor, é fácil de perceber que Rebel of the Sands possui demasiadas influências - árabes, gregas, irlandesas - e que há uma base forte e estrutural por detrás das palavras da autora. No entanto, a minha ignorância no folclore era tal, que dei por mim sem saber o que era mitológico e o que foi originalmente criado pela autora. Fui obrigada a consumir Rebel of the Sands como um todo, uma coisa própria, esquecendo qualquer base mitológica que pudesse haver porque pura e simplesmente não a conhecia. Rebel of the Sands foi uma autêntica surpresa. 

(Continua) 

Primeiro que tudo, Rebel of the Sands possui o setting mais forte de que tenho memória. A autora actuou como uma pintora, oferecendo-me experiências vívidas dos diferentes locais para os quais a protagonista se dirigia. O ambiente do livro era um segundo protagonista com elementos ricos e completos e cada localização mais intrigante que a anterior. A forma como a autora descrevia as suas cenas fez com que fosse capaz de sentir o calor a cozer-me o corpo, a areia na pele e a sensação de liberdade na alma. Estava de tal modo consumida pela escrita e pelas descrições que dei por mim completamente submersa no mundo criado - conseguia senti-lo. É uma sensação rara mas, quando acontece é como se o sol nascesse novamente.  
A protagonista, Amani, foi um remédio para a alma. Não há escuridão neste mundo que não seja levada pelo humor e saídas rápidas e inteligentes da protagonista. Por outro lado, foi a primeira vez que me deparei com uma personagem principal cujos defeitos nos são atirados à cara desde a primeira página. Amani é defeituosa. Amani é egoísta, motivada pelo seu desejo - ou necessidade - de sair da cidade que a viu crescer. Amani é impulsiva e com tendências que são moralmente questionáveis. Tudo isso proporciona um crescimento e um desenvolvimento que acontece e que é visível ao longo das páginas . Amani não se mantém estática ou até mesmo estável ao longo do livro, sofrendo mudanças, umas mais abruptas do que outras mas ainda assim, mudando. E, mais importante, cada um dos seus defeitos fazem sentido considerando o seu background, a sua história. Ela não é a heroína perfeita e comete erros mas vai aprendendo com eles. 
No entanto, apesar de toda os aspectos positivos, houve alguns, negativos que se destacaram, nomeadamente a confusão inicial em redor dos elementos mágicos e da própria cultura - muito rica - do mundo de Amani. No início, apesar de compreensível, há muita informação que o leitor é obrigado a compreender. O mesmo aconteceu com Gravar as Marcas de Veronica Roth. A informação era necessária, não me interpretem mal, mas para quem não estar familiarizada com absolutamente nada da mitologia árabe, adicionar-lhe um mundo novo por cima, com conceitos completamente extraterrestres, torna o início problemático apesar de memorável e aqui voltamos à capacidade da autora de colocar o leitor directamente nas páginas. 
O outro ponto menos positivo mas menos impactante no desenvolvimento e no entusiasmo da leitura foram os momento mais previsíveis. Admito que houve momentos que não esperava, desenvolvimentos em que a minha boca abriu de surpresa, acontecimentos que me cortaram o coração mas, Rebel of the Sands possui a sua quota parte de clichês, ainda que ligeiramente distorcidos pela areia do deserto, pela acção constante e pela mudança constante de cenário. 
Enquanto leitora, adorei Rebel of the Sands. Para um primeiro volume, aliás, para um primeiro livro, acho que a autora fez um belíssimo trabalho no desenvolvimento do mundo e na criação das personagens que são bem trabalhadas, bem estruturadas, bem desenvolvidas, com passados e com defeitos que tornam tudo mil vezes melhor. Traitor to the Throne é o segundo volume e tem todo o potencial para ser uma continuação mais rica e mais politicamente interessante, afastando-se de alguns dos clichês que este primeiro volume foi obrigado a adoptar. 

Tell me that and we’ll go. Right now. Save ourselves and leave this place to burn. Tell me that’s how you want your story to go and we’ll write it straight across the sand.


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